Balança comercial brasileira bate recorde em 2023

02/01/2024
Leitura em: 5 minutos
Balança comercial de 2023 fecha positiva e gera otimismo para o mercado

Mesmo diante das crescentes incertezas globais, balança comercial de 2023 fecha positiva e gera otimismo para o mercado

A balança comercial fechou 2023 com um desempenho recorde. No geral, o setor externo foi muito favorável ao longo do ano, mesmo diante das crescentes incertezas globais. A queda do câmbio até conteve um pouco das exportações, mas não foi suficiente para evitar o resultado recorde registrado.

Ainda assim, há muitos elementos no radar. Além do conflito entre Rússia e Ucrânia, a situação no Oriente Médio requer monitoramento. A inflação ainda pressionada no cenário internacional, os juros altos em diversos países e as incertezas sobre o início e a magnitude do ciclo de redução das taxas de juros também são temas a serem monitorados.

Tudo isso pode impactar no comportamento da balança comercial em 2024, além de uma safra que não deve repetir o desempenho excepcional de 2023. 

Acompanhe nossa análise a seguir.

Como foi o comportamento da balança comercial em 2023?

A balança comercial brasileira registrou um saldo positivo em mais de US$89 bilhões entre janeiro e novembro de 2023. Esse resultado é 57% maior do que o saldo registrado no mesmo período em 2022, cujo resultado atingiu mais de US$59 bilhões. 

O resultado atual é o maior registrado e bateu recordes na série histórica iniciada em 1989, de acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

As exportações no período cresceram 0,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior e somaram US$310,78 bilhões. As importações, por sua vez, caíram 12,1% e totalizaram US$221,30 bilhões. O desempenho foi positivo, mas também chama a atenção pela queda das importações

Aprofundando os dados da balança comercial

O desempenho da balança comercial brasileira em 2023 foi puxada principalmente pelo agronegócio. Quando olhamos para os microdados da Secex, notamos que o resultado favorável  ficou a cargo dos seguintes produtos agropecuários:

  • Animais vivos, não incluindo pescados ou crustáceos (+158,6%);
  • Milho não moído, exceto milho doce (+17,6%);
  • e Soja (+12,5%).

Esse crescimento foi responsável pela alta de 8,2% nas vendas dos produtos da agropecuária, que somaram US$76,33 bilhões. Complementarmente, tivemos um crescimento de 2,2% da indústria extrativa, mas uma queda de 3,6% da indústria de transformação. Apesar do resultado, é fundamental destacar que a indústria de transformação foi responsável por US$161,4 bilhões de dólares do saldo comercial total registrado no período. 

Já do lado das importações, todos os setores reduziram suas compras do exterior. As quedas foram:

  • Indústria extrativa (-28,4%);
  • Agropecuária (-13,8%);
  • Indústria de transformação (-9,1%).

O que esperar para 2024?

Como grande responsável pelo bom desempenho do PIB brasileiro em 2023, o cenário agropecuário brasileiro e externo estão limitados porque a perspectiva de crescimento da balança comercial para 2024 está comprometida.

O ano de 2023 foi de muitos recordes, como as safras históricas registradas pela Conab geradas por uma conjuntura de clima extremamente favorável no país, somado a uma taxa de câmbio adequada. Dessa forma, o resultado não poderia ser diferente.

Contudo, considerando as condições atípicas registradas em 2023, é muito difícil reproduzir a mesma conjuntura em 2024. A safra de 2023/2024 não deve ser igual à registrada na safra 2022/2023 por conta do clima.

A demanda do exterior é mais limitada também, com taxas de juros mais elevadas por um período mais prolongado.

Tudo isso deve fazer com que a balança comercial em 2024, ao menos no que depende das exportações, seja menor do que a registrada em 2023.

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