O que esperar do IGP-DI para 2024?

08/02/2024
Leitura em: 5 minutos
igp-di-2024

Com aceleração observada nos últimos meses de 2023, IGP-DI mostra um cenário favorável para os preços de produtos e serviços em 2024. Saiba mais!

O IGP-DI é a sigla de Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna. Trata-se de um indicador econômico brasileiro que mede a variação de preços de produtos e serviços. Ele abrange desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.

Apesar da aceleração observada nos últimos meses de 2023, o indicador sugere um cenário favorável para o início de 2024.

Há elementos que devemos nos atentar para compreender o movimento dos preços nos primeiros meses de 2024. O destaque fica para os alimentos, o principal fator de risco inflacionário no curto prazo.

O cenário geral, contudo, é benigno e deve favorecer a queda dos juros.  Acompanhe nossa análise a seguir.

Um pequeno overview do IGP-DI

O IGP-DI de janeiro de 2024 registrou uma queda de 0,27%, marcando o menor resultado desde julho de 2023, quando o índice experimentou uma redução de 0,40%. Esse resultado contrasta com a taxa de 0,64% observada em dezembro de 2023. 

Com tal performance, o IGP-DI acumula uma retração de 3,61% nos últimos 12 meses, evidenciando uma inversão significativa em comparação com janeiro de 2023, quando o índice variou 0,06% e acumulou uma alta de 3,01% em 12 meses.

A mudança foi provocada principalmente pela queda expressiva nos preços dos Produtos Agropecuários ao produtor em janeiro de 2024, que passaram de um aumento de 3,64% em dezembro para uma queda de 1,48%, sinalizando uma mudança na tendência de aceleração de preços iniciada em outubro do ano anterior.

Qual é o principal elemento do índice?

Dentro dos produtos agropecuários, que desempenharam um papel crucial na deflação registrada pelo IGP-DI em janeiro, destacam-se as “Matérias-Primas Brutas“. Elas tiveram uma redução de 1,12% neste mês, revertendo a alta de 2,90% observada em dezembro.

O INCC-DI, que mede os custos no setor de construção, incluindo “materiais” e “mão de obra e serviços”, apresentou uma variação de 0,27%, ante 0,31% no mês anterior, indicando uma moderada desaceleração.

Dois dos três grupos componentes do INCC, porém, registraram aumento na passagem de dezembro para janeiro:

  • “Materiais e Equipamentos” (0,43% para 0,07%);
  • “Serviços” (0,11% para 0,62%);
  • e “Mão de Obra” (0,18% para 0,48%).

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), por sua vez, caiu 0,59% em janeiro. No mês anterior, o índice havia subido 0,79%.

Na análise por estágios de processamento, a taxa do grupo “Bens Finais” variou de 1,06% em dezembro para 0,57% em janeiro.

A principal contribuição para tal resultado partiu do subgrupo “alimentos in natura”, cuja variação passou de 9,97% para 4,28%.

Finalmente, o IPC-DI, que contribui com 30% para o indicador geral, registrou um avanço de 0,61% após ter subido 0,29% em dezembro de 2023.

Embora o índice de janeiro denote um aumento na inflação para os consumidores finais, os desdobramentos qualitativos do índice revelam apenas uma leve perturbação no núcleo da inflação mensal.

O que esperar do IGP-DI para 2024?

Embora seja improvável que o resultado do IGP-DI de janeiro se repita nos próximos meses, tendo em vista a intensa deflação observada em janeiro, as perspectivas para a inflação sugerem uma continuidade da convergência às metas do Banco Central ao longo do primeiro quadrimestre de 2024.

Apesar dos riscos relacionados ao atual contexto climático, a exemplo do El Niño e, mais adiante, ao La Niña, além dos conflitos armados no leste europeu e no Oriente Médio, não são observados sinais intensos de descontrole do nível de preços, de forma que o cenário mostra-se favorável para a condução da política monetária doméstica e, consequentemente, ajuda na materialização de uma conjuntura mais propositiva ao setor imobiliário.

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