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Queda nas vendas do varejo não preocupa, mas deixa mercado em alerta

Queda nas vendas do varejo não preocupa, mas deixa mercado em alerta
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Vendas do varejo cai no início de 2024, mesmo fechando 2023 com um aumento positivo. Entenda as tendências para os próximos meses!

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo IBGE, é o principal relatório do comércio varejista no Brasil. Ao longo de 2023, a PMC revelou um panorama dúbio para o setor. O estudo traz momentos de crescimento modesto intercalados com estabilidades pontuais, assim como algumas quedas. 

Tal desempenho reflete uma variedade de fatores econômicos e regionais que impactam as vendas do varejo.

O setor encerrou o ano de 2023 de forma pouco positiva. Isso aconteceu devido ao atual contexto de desaceleração econômica e a instabilidade do setor externo.

No entanto, as perspectivas para 2024 sugerem um momento relativamente mais favorável para as vendas do varejo

Acompanhe a análise a seguir. 

O que entender do índice divulgado?

Após o avanço modesto observado em novembro, de 0,1%, o volume de vendas do varejo nacional caiu 1,3%, na série com ajuste sazonal.

A média móvel trimestral também indicou contração, de 0,6%. Tal resultado constitui o maior recuo desde o mês de fevereiro de 2023. Nesse período, o setor apresentou queda de 2,6%.

Com a leitura, as vendas do varejo fecham o ano com crescimento acumulado de 1,7%. No entanto, a variação frente a dezembro de 2022 foi um pouco mais modesta, de 1,3%.

Já no comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças; material para construção; e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o resultado foi marginalmente melhor, com o volume de vendas retraindo 1,1%, na série com ajuste sazonal.

A média móvel trimestral também demonstrou uma variação menos intensa, de -0,2%.

Quais são os principais elementos do índice?

O desempenho negativo das vendas do varejo afetou seis dos oito segmentos estudados.

As quedas foram mais acentuadas em:

  • Equipamentos de escritório e informática (-13,1%);
  • Móveis e eletrodomésticos (-7,0%);
  • Outros itens de uso pessoal e doméstico (-3,8%).

Vestuário e calçados, livros, materiais de papelaria e produtos farmacêuticos também viram reduções em suas vendas.

Contrariando essa tendência, combustíveis e supermercados apresentaram crescimentos de 1,5% e 0,8%, respectivamente.

No varejo ampliado, veículos e materiais de construção tiveram variações de -4,5% e 0,4%. Regionalmente, 13 estados apresentaram recuo nas vendas, com Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Paraná liderando as quedas. Por outro lado, Alagoas, Amapá e Goiás destacaram-se com os maiores avanços.

Na comparação do varejo ampliado, os resultados negativos foram ainda mais abrangentes, com contração podendo ser observada em 20 estados, com Espírito Santo, Paraná e Tocantins sofrendo as maiores baixas.

No entanto, sete estados, incluindo Alagoas, Amapá e Distrito Federal, exibiram crescimento, indicando uma variação positiva em algumas regiões.

O que esperar das vendas do varejo para 2024?

Apesar dos números da PMC terem se mostrado aquém do esperado, as perspectivas para as vendas do varejo em 2024 apontam para um contexto mais promissor, mesmo que o avanço permaneça modesto.

Embora a Black Friday tenha demonstrado um desempenho abaixo das expectativas do mercado em novembro, tendo em vista o avanço marginal de apenas 0,1% no período, a data continuou a impactar o mês de dezembro, uma vez que parte considerável das compras do fim de ano acabaram por ser adiantadas. 

Já em 2024, o ciclo de cortes da Selic, iniciado em agosto do ano anterior, deve começar a impactar o varejo ainda no primeiro trimestre deste ano. Tal efeito pode ser ampliado pelo fato da expansão de crédito advinda dos juros mais baixos estar se concentrando principalmente em torno do consumo das famílias, o que deve beneficiar de maneira desproporcional o comércio varejista.

De outra perspectiva, os riscos mais significativos para as vendas do varejo, assim como para a economia do Brasil de maneira geral, são originados das condições globais, as quais estão enfrentando sua fase mais turbulenta em muitos anos. 

O potencial declínio na atividade chinesa — em conjunto com a manutenção de taxas de juros elevadas nas economias do Ocidente, as quais devem perdurar por períodos mais prolongados em virtude da resiliência da economia americana  — continuará sendo o foco principal de preocupação para as vendas do varejo.

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