Quais são as perspectivas da produção da indústria brasileira para 2024?

09/02/2024
Leitura em: 5 minutos
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A produção da indústria brasileira fechou 2023 com um crescimento mais alto do que o imaginado. E qual será a tendência para 2024? Confira aqui!

A produção da indústria brasileira encerrou o ano com um crescimento superior às expectativas. Apesar dos desafios tanto no setor interno quanto no internacional, as perspectivas sugerem uma tendência de avanço. Esse crescimento será moderado e já deve ser visto no primeiro trimestre de 2024. 

Na nossa análise da Pesquisa Industrial Mensal, vamos entender o comportamento do crescimento dessa produção. Continue a leitura!

Como foi a produção da indústria brasileira em 2023?

Em dezembro de 2023, observou-se um aumento de 1,1% na produção da indústria brasileira em comparação com novembro, ajustado sazonalmente. 

Comparando com o mesmo mês do ano anterior, houve um crescimento de 1,0% na produção da indústria brasileira. Isso marca o quinto mês consecutivo de expansão, com os aumentos anteriores registrados em novembro (0,7%), outubro (0,2%), setembro (0,2%) e agosto (0,4%). A média móvel dos últimos três meses de 2023 ficou em 0,7%. 

Ao longo de todo o ano de 2023, a produção da indústria brasileira teve um leve avanço de 0,2%, uma recuperação frente à retração de 0,7% observada em 2022. No comparativo trimestral, o último trimestre de 2023 viu um incremento de 1,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

Com os resultados recentes, a produção da indústria brasileira ultrapassa o patamar pré-pandemia (0,7% acima de fevereiro de 2020); mas permanece 16,3% abaixo do nível recorde, que foi  alcançado em maio de 2011.

Como fica a produção da indústria brasileira por setor?

O comportamento observado da produção da indústria brasileira é positivo e de forma abrangente. Três das quatro grandes categorias econômicas e 14 das 25 atividades industriais pesquisadas, demonstraram crescimento.

Entre as atividades, as influências positivas mais importantes vieram das indústrias extrativas (2,2%), produtos alimentícios (2,1%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (14,5%).

As indústrias extrativas registraram o segundo mês seguido de avanço na produção, período em que acumulou ganho de 5,9%.

Por outro lado, a produção de bens de capital terminou 2023 com a pior queda anual desde a recessão em 2015. O setor teve baixa de 1,2% em dezembro, quarto recuo mensal consecutivo. No ano, a categoria teve redução de 11,1%, ante o mesmo período de 2022. 

Quais são as perspectivas para a indústria em 2024?

Após atingir seu ápice de 13,75%, a taxa de juros sofreu uma sequência de cortes por parte do Banco Central no segundo semestre de 2023. A continuidade do ciclo de cortes da Selic, iniciado em agosto, parece ter começado a impactar a atividade econômica brasileira, incluindo a indústria nacional.

Por outro lado, os dados da Nota Monetária e de Crédito mostram um contexto desafiador para a expansão da indústria, tendo em vista o fato de que o fornecimento de crédito está focando, principalmente, nas pessoas físicas, enquanto o crédito às pessoas jurídicas manteve-se praticamente estável ao longo do ano. 

Tal cenário revela-se particularmente prejudicial para o setor de bens de capital, que depende, em grande parte, do nível de investimentos e do custo do crédito.

A despeito dos desafios mencionados, as projeções da Análise Econômica sugerem uma tendência de crescimento da indústria ao longo do primeiro trimestre, ainda que de forma mais moderada do que o resultado observado em dezembro, com uma projeção de avanço de 0,4% em janeiro.

Caso o ciclo de cortes das taxas de juros, as quais estão projetadas para terminar o ano na faixa entre 9,50% e 9,25%, influencie as concessões em favor do crédito às pessoas jurídicas, é possível que a produção da indústria brasileira adquira maior fôlego ao longo dos próximos meses.

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